Monark, nazismo e a corrupção da linguagem

Escrevo este artigo à luz da polêmica envolvendo o apresentador Monark do Flow Podcast, que defendeu a liberdade de existir partidos nazistas e que estes sejam combatidos no campo político. Com este contexto posto, e a par da discussão do partido político, quero chamar a atenção para uma reflexão mais profunda em torno da questão que não tem sido observada na profundidade exigida.

A atual polêmica em torno do nazismo é tão frágil que a maioria esmagadora das pessoas que estão “repudiando a fala” de Monark, faz parte daqueles que atravessam a rua e, se possível fosse, prenderiam o vizinho que não tomou vacina.

Uma constatação importante da realidade: proibir o partido nazista não impede que ações nazistas sejam implementadas.

A palavra nazismo denomina o nome do partido alemão dos anos 1920 e 1930, chamado “nacional socialista” (Nationalsozialismus).

As atrocidades do nazismo foram cometidas a partir da mentalidade revolucionária, presentes também no comunismo, fascismo e o iluminismo, sendo esta última o “pai espiritual” das anteriores.

Veja, nos dias de hoje a maioria dos veículos de mídia utilizam as técnicas e práticas de Joseph Goebbels – ministro da propaganda nazista e o grande responsável por sua ascensão junto ao povo. Tudo isto era feito com base na radiodifusão de discursos, programas culturais, jornais e folhetins.

Porém, não somente a mídia utiliza destes meios, mas a maioria dos governos espalhados pelo mundo utilizam técnicas nazistas de comunicação e subversão das mentalidades para avançarem com seus propósitos.

Quer um exemplo? A prefeitura da cidade de Campinas promoveu a segregação social e ainda forneceu argumentos prontos para que pessoas praticassem assédio moral direcionado a outros cidadãos que não estejam seguindo as diretrizes impostas pelo Estado, independentemente dos motivos, razões ou circunstâncias envolvidas. O que importa de fato é seguir as diretrizes do Estado para esta gente.

 

 

O nível de paralaxe cognitiva endêmica é tão difuso que muitos argumentarão que a razão de a prefeitura promover esta ação é em nome da ciência, do bem comum. Pois é… mas se você tivesse a oportunidade de conversar com um alemão médio dos anos 1930 ele também diria para você que a superioridade ariana era uma questão de ciência e que ele não discute a ciência, ele confia. Entendeu? Ele segue a ciência e você é um negacionista.

Avançando um pouco, se você tivesse a oportunidade de falar com uma pessoa nos anos 1950 na África do Sul sobre o Apartheid, as razões apresentadas seriam muito semelhantes para os defensores da prática anterior.

Para todos os casos, o seu interlocutor teria posições elevadas, em nome do bem comum, da evolução social e da soberania do homem frente aos problemas que o progresso exige etc.

a maioria dos que estão “horrorizados” e promovendo um ganho de status social na internet, são em grande parte promotores e defensores de censura na mídia, segregação social por vacina, silenciamento ideológico por discordância, prisões político partidárias e diversas atitudes promovidas por militantes e representantes do partido nazista nos anos 1930.

Seriam eles a Juventude Hitlerista? Claro que não, os promotores destas ações nos dias de hoje não usam um bigodinho característico, então está tudo bem. Já provaram que são pessoas “do amor” e, agora já podem ir perseguir o primo que não tomou a vacina ou cancelar o pai do aluno que não aceita a ideologia de gênero.

O fato de uma pessoa defender algo abstrato, como o “nazismo”, não torna ou o transforma em algo verdadeiro no campo da realidade. Uma pessoa pode muito bem repudiar o nazismo, proibir o discurso em defesa do nazismo, demitir e cancelar contratos com quem ela julgue que o faça, mas esta mesma pessoa pode deliberadamente execuar diversas atitudes que os militantes do partido nazista praticavam e acreditarem que estão fazendo tudo isso pelo bem comum.

Ser contra o nazismo é abstração, combater práticas nazistas travestidas de “democracia”, “defesa da ciência” e “bem coletivo” é que realmente trazem efeito prático na realidade. Mas tenho uma má notícia para você: os que fizerem isto, serão chamados de nazistas.

Bem-vindo ao hospício.

8 comentários sobre “Monark, nazismo e a corrupção da linguagem”

  1. Carlos E. Galvão disse:

    Hoje seria a “juventude cientista” e o bigode pode ser substituído por outro sinal distintivo exterior, como colorir o que falta sob a boina do amigo Ivan Kleber.

  2. Paula Chrestan disse:

    Paulo está é a grande verdade que ninguém quer enxergar.
    Hj comentei com uma amiga, que as pessoas não raciocinam mais e também não usam um critério antigo, que anda bem sumido, um tal de bom senso.
    Não me conformo com determinadas atitudes, p ex: comendo em um restaurante pode-se ficar sem máscara, mas vc não pode entrar sem a bendita focinheira no mesmo restaurante.
    Realmente estamos em um grande hospício. Professor Alexandre que o diga.

  3. André Favaron disse:

    Ph esse texto ficou muito bom! Gostaria de conhece-lo pessoalmente para ter uma dedicatória sua no livro EUA e o Partidos das Sobras. Um abraço! Idem velle, Idem nolle.

  4. O caso Monark foi muito sério e pode tornar-se um ponto de não retorno se não houver uma forte onda de debate honesto (coisa que duvido acontecerá).

  5. Ana Francisca Garcia Zani disse:

    Ótima análise!

  6. Ricardo Diniz disse:

    Excelente constatação, meu caro!
    Por isso creio que estamos num meio de uma massa zumbizada em que boa parte está alienada.
    Acredito que estamos entrando numa rota sem retorno e não vejo esperança dos pacatos se revoltarem.
    Que Deus abençoe os despertos!

  7. LEONIDAS PELLEGRINI disse:

    Vou levar esse para a sala de aula. Só vou precisar colocar uma nota explicativa sobre o que é paralaxe cognitiva.

  8. Valéria disse:

    Perfeito Paulo, exatamente o que penso, cirúrgico. Sabe que tenho até medo de falar sobre isto, pois meus melhores amigos são judeus, são para mim mais do que muito familiar e de modo algum poderia feri-los. Mas é necessário falar pois o que está acontecendo é muito perigoso. Há o lado da própria empresa também que, por grana, largou o cara sozinho. Achei também isto temerário, não há virtude em preservar patrocinador e jogar um sócio aos leões. Eles perderam uma chance enorme em se tornarem os “bastiões da livre expressão” enfrentando juntos, prestando esclarecimentos. Eles têm grana pra isto! Tipo “ninguém larga a mão…”ta vendo porque somos mais fracos?

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