Klaus Schwab, Putin, Kissinger e o avanço da Revolução na Ucrânia

Desde o princípio do conflito na Ucrânia, tenho afirmado em diversas análises que, independentemente do resultado do conflito na Ucrânia, assistiremos a um avanço das agendas revolucionárias dentro da nação do leste europeu. Esta afirmação muitas vezes não é simples de compreender e requer um olhar apurado sobre os acontecimentos prévios ao conflito.

Tanto os EUA, como a França e a Alemanha foram responsáveis por péssimas negociações e acenos diplomáticos para a Rússia, oferecendo praticamente carta branca para que o país fosse invadido desde que tomado rapidamente pelo exército de Vladimir Putin. Isso gerou inclusive um racha dentro da OTAN, com os países do Leste Europeu não aceitando mais as negociações encabeçadas pela administração Biden. Nas primeiras horas do conflito a Casa Branca ofereceu ao Presidente ucraniano Zelensky uma fuga segura do país, que respondeu com a frase que se tornou famosa:

“eu quero munição e não carona”.

Nesta altura dos acontecimentos os países ocidentais afirmavam que não se envolveriam no conflito e de tudo fizeram para que a Ucrânia capitulasse rapidamente ou ampliaram na opinião pública a expectativa de que uma derrota rápida ocorreria. Todavia, a garra demonstrada pelo povo e exército ucraniano surpreendeu ao mundo, o que forçou as potências ocidentais a se moverem em ajudar a Ucrânia com munições e sanções à Rússia em primeiro momento. Justamente neste ponto mora o primeiro ponto do tema central deste artigo.

Caso a Rússia saia como a vencedora deste conflito, ela avançará com seu plano Eurasiano e de anexação das ex-repúblicas soviéticas. Aumentando a sua zona de influência e o eixo imperialista oriental ao lado da China e com a visão “multipolar” de Alexandr Dugin.

Caso a Ucrânia saia vitoriosa do conflito, teremos um terreno fértil para a implementação de agendas progressistas dos grupos supranacionais como a União Europeia e os círculos discretos como o clube de Roma, Bildenberg etc.

Neste ponto é necessário tomar cuidado com o anacronismo histórico de curto prazo, pois mentes mais afoitas podem por consequência deste segundo cenário pensar que tudo era parte de um plano do governo ucraniano para entregar o país. Não sejamos apressados e observemos com profundidade a questão: O território que hoje representa a Ucrânia possui conflito direto com a Rússia praticamente desde o século XVI, sendo que nos últimos 100 anos foram profundamente sufocados tanto pelo regime Czarista quanto pela ditadura soviética, resultando em mais de 10 milhões de ucranianos mortos somente nos últimos 100 anos. A população Ucraniana em sua maioria já desejava que o país aderisse à zona de influência europeia e se distanciasse cada vez mais da Rússia em todos os aspectos possíveis: culturais, econômicos e militares.

Quando o conflito eclode, independente dos problemas revolucionários que envolvem as frentes ocidentais, o povo ucraniano e o governo passam a combater o mal que já conhecem, ou seja, a Rússia. Para isto é necessário contar com o apoio dos grupos e forças citadas acima para garantir condições de defesa: treinamento militar, armas, munição e veículos de combate. Além disto, a economia ucraniana fora completamente dilacerada e as perdas já passam da casa de US$1.000.000.000.000,00 (Um trilhão de dólares). Isso faz com que a Ucrânia recorra a toda e qualquer ajuda que lhe seja oferecida para a rápida reconstrução do país, afinal, caso saia vencedora do conflito terá um país destruído e um povo desesperado por retomar suas vidas.

Estamos exatamente no meio termo entre estas duas situações e assistindo as visitas de Nancy Pelosi (presidente da câmara dos deputados americana e um dos generais do Partido das Sombras de Soros), Ursula Von der Leyen (presidente da comissão européia) e António Guterres (secretário-geral da ONU), todos com muita atenção e promessas de apoio financeiro para a reconstrução do país. Este apoio, porém, não virá gratuitamente, mas com diversas amarras que irão aprisionar a Ucrânia e seu povo em diversos tratados de fronteiras abertas, submissão jurídica à Corte Europeia, políticas identitárias e tantas outras pautas revolucionárias.

Mas é importante que não nos esqueçamos que desde o princípio, a intenção fora a da carta branca para Putin, como recentemente afirmado pelo ex-assessor pessoal de Vladimir Putin no G8, Andrei Illarionov (assista aqui). Com isso, existe uma grande possibilidade neste caminho que a Ucrânia sofra uma traição para que o choque entre as forças globalistas ocidentais e imperialistas orientais sejam apaziguadas. O primeiro indício deste caminho veio a poucas semanas com o Presidente Francês Emmanuel Macron, sugerindo que a entrada da Ucrânia na União Europeia poderia não ser tão imediata quanto o esperado:

“A Ucrânia por sua luta e coragem já é um membro caloroso de nossa Europa, de nossa família, de nossa união. Mesmo se concedermos a ela o status de candidata [a entrar na União Europeia] amanhã, todos sabemos perfeitamente que o processo para permitir que ela se junte levaria vários anos, provavelmente várias décadas.”[1]

Em declaração mais recente, o Presidente ucraniano Zelensky afirmou que Macron sugeriu que Ucrânia desistisse de parte de sua soberania para permitir que Putin “salvasse a cara”:

“Talvez, Macron saiba mais do que eu; eu sei que ele queria alcançar algo mediando entre nós (Ucrânia e Rússia), mas ele falhou; falhou não por causa da nossa posição, mas da Rússia. É inapropriado que os líderes mundiais sugiram que eu faça certos sacrifícios em termos de soberania da Ucrânia, a fim de permitir que Putin salve a cara.”

Zelensky reiterou que o desprezo da Rússia por quaisquer compromissos a favor da Ucrânia fora evidenciado pela invasão iniciada em 24 de fevereiro e deixou um alerta para o Presidente da França:

“Macron deve abster-se de fazer certos gestos diplomáticos; acolhi [2]sua (recente) reeleição. A história, no entanto, não perdoa os passos de lado; se você busca retomar o que é seu, só há uma maneira de ir adiante.”

Zelensky não pareceu disposto a aceitar a sugestão do primeiro emissário enviado, o que levou com que novas sinalizações públicas fossem feitas. No dia 19 de maio o jornal de New York Times publica um editorial intitulado “A guerra na Ucrânia está ficando complicada, e a América não está pronta.

No dia 23 de maio, Henry Kissinger, um pesado porta voz e agente das forças globalistas ocidentais, fez um discurso contundente sobre o que o ocidente deve fazer em relação à Ucrânia, afirmando que eles devem ceder território à Rússia, assim como sugerido por Macron, e foi além:

“Espero que os ucranianos correspondam ao heroísmo que demonstraram com sabedoria”,

Afirmou Kissinger, acrescentando com seu senso de realpolitik que o papel adequado para o país é ser um estado tampão neutro e não a fronteira da Europa. Ele continua:

“As negociações precisam começar nos próximos dois meses antes de criar revoltas e tensões que não serão facilmente superadas. Idealmente, a linha divisória deve ser um retorno ao status quo ante. Prosseguir com a guerra além desse ponto não seria sobre a liberdade da Ucrânia, mas uma nova guerra contra a própria Rússia.”

Traduzindo: “Ucrânia, você já mostrou que é dura na queda, agora tome seu lugar, entregue os territórios que já deveriam ter sido entregues e deixe que nós assumamos daqui para frente”. E por assumir, é literalmente fatiar a Ucrânia em uma colcha de retalhos onde cada lado da Unidade Revolucionária irá colher seu “merecido” quinhão.

Estamos assistindo o início da traição através da diplomacia ao povo ucraniano que derramou seu sangue para proteger sua terra, ser forçado a aceitar as negociatas dos círculos de poder mundial.

Para saber mais sobre Henry Kissinger leia o livro “Os EUA e o Partido das Sombras”. (Autores: Paulo Henrique Araujo e Ivan Kleber Fonseca)

Para saber mais sobre a unidade que organiza os polos de poder leia o livro “As bases revolucionárias da política moderda”. (Autores: Paulo Henrique Araujo e José Carlos Sepúlveda da Fonseca)

[1] Em aceno a Ucrânia e Reino Unido, Macron sugere nova entidade europeia | CNN Brasil

[2] Presidente francês sugere que Ucrânia desista de terras para apaziguar Putin – Notícias da Ucrânia / A Nova Voz da Ucrânia (nv.ua)

8 comentários sobre “Klaus Schwab, Putin, Kissinger e o avanço da Revolução na Ucrânia”

  1. Juliana disse:

    Dúvida: a guerra na Ucrânia não é um catalisador para o grande reset????

    1. Faltam 8 anos para o reset. Se durar mais 2 anos de devastação econômica causada pela guerra, todos os governos marionetes dos globalistas serão implodidos popularmente (inclusive Putin).

  2. É o cúmulo da falta de senso de Macron e Kissinger. A bravura e o mérito do povo Ucraniano não contam?É preciso ceder ao suposto poder do usurpador?

  3. É o cúmulo da falta de senso de Macron e Kissinger. A bravura e o mérito do povo Ucraniano não contam?É preciso ceder ao suposto poder do usurpador?

  4. Inacreditável!A bravura e o mérito do povo Ucraniano não contam?É preciso ceder ao suposto poder do usurpador?Só a tal da nova ordem deve ser a vitorios? Os Ucranianos,não

  5. Sandra Maria de Andrade disse:

    Enquanto isso o povo ucraniano sofre os horrores da guerra.

    Obrigada, Paulo Henrique, por mais um ótimo artigo!

  6. Maria Lucia disse:

    Nesses conflitos, a população não conta, vidas humanas não importam.
    As pessoas precisam perceber que em Jesus Cristo está a única esperança de salvação. A FÉ nEle fará a diferença.

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